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FALTA DE ACEITAÇÃO E VONTADE DE MANDAR AS PESSOAS IREM TOMAR NO OLHO DE SEUS C*S

2019.03.05 03:12 lucius1309 FALTA DE ACEITAÇÃO E VONTADE DE MANDAR AS PESSOAS IREM TOMAR NO OLHO DE SEUS C*S

O alcoolismo é uma doença física, mental e emocional, que além disso tudo é incurável e progressiva. Não existe, para medicina, um jeito de "deixar de ser alcoólatra". É uma condição que vai sempre existir em seu portador, mas que, se for tratada, pode ser estacionada. Estacionar a doença consiste em total e completa abstinência da substância. Eu particularmente não acredito em "redução de danos" porque já tentei e não deu nada certo. No inicio até funcionou, mas depois eu voltei a meter marcha e a beber pra caralho e sem parar. Só deu certo quando resolvi parar de vez. Pois bem, hoje a doença tá estacionada, e tá tudo melhor do que era antes, ao menos é isso que eu acho, hoje eu tenho uma boa fonte de renda, carrinho popular na garagem, roupas boas e limpas, um lugar decente pra dormir, facilidade pra arrumar mulher (apesar de ter preferido ficar na minha quanto a isso), confiança da minha família, etc etc etc.
Mas isso não muda uma pequena coisa: eu não posso beber.
Época de festas, carnaval. Eu já disse aqui que o carnaval pra mim dá muito é o cu. Eu odeio essa porra dessa festa, não nego. Ver as pessoas simplesmente descontroladas, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Stories no Instagram, fotos com um monte de glitter na cara, mulheres chupando homens no meio da rua, lixo que não é devidamente descartado, verba pública indo pelo ralo para agradar meia dúzia de imbecis que mamam nessa porcaria de festa, entre outras várias coisas.
Hoje eu acordei me sentindo o cara mais sozinho do universo.
Não é drama, nem birra. Eu já passei dessa fase. Como passei da fase em que eu me sentia o cara mais especial da escola, por estar completamente deslocado e por isso, ficava no meu canto completamente isolado, lendo livros e ingerindo bebidas alcoólicas dentro do banheiro na hora do intervalo, arrumando brigas por causa de ciúmes da minha ex-namorada que era gostosa demais e todo mundo queria comer, estudando pra caralho pra tentar ter um futuro. Sendo que, na verdade, eu tava cagando e andando pro meu futuro. O meu principal objetivo era morrer antes dos trinta anos, e por isso resolvi entrar de cabeça no mundo das drogas, pois assim eu acreditava que chegaria nesse objetivo. E olhando agora, eu REALMENTE iria conseguir.
Pouco antes de parar de beber, eu tava vomitando sangue já fazia uns sete meses. Nunca revelei isso pra ninguém, pois eu não queria que se preocupassem. Eu só queria beber até morrer. Isso é pedir demais?
Eu sei. É besteira falar de morte. Não incentivo isso, nem acho bonito, mas era a minha realidade, porra.
Voltando ao assunto para que eu não desfoque novamente.
Meus cabelos estão caindo, os anos estão passando e se eu mantiver como mantenho, eu posso viver muitos anos ainda. E serão muitos anos de uma vida completamente diferente da vida de todo mundo. Sem festas, sem farras, sem lugares de risco, sem passar perto de latinhas de cervejas, sem entrar em bares pra cantar parabéns pras pessoas, sem euforias em redes sociais, absolutamente nada disso, porque eu não posso frequentar lugares e nem estar com pessoas que tenham bebidas alcoólicas. A minha doença é sorrateira pra caralho, e se eu der brecha, eu volto a beber.
Isso seria terrível? Talvez.
Não posso dizer. Eu sei que do jeito que tava, tava terrível. Portanto, as chances das coisas ficarem terríveis, são altíssimas. Eu só queria que não fosse assim. Invejo quem pode ter uma vida normal. Quem não bebe por opção, ou quem sabe beber. Pra eles a vida tem as dosagens perfeitas de farra e de seriedade. Pra mim, a vida vai ser, no geral, um tédio. Não digo sempre, mas na maioria do tempo.
Tenho pego o carro e dirigido a 120 numa estrada que o limite de velocidade é 60. Sei que não é o correto, mas eu conheço bem a estrada, e não acredito que possa ocasionar um acidente. Conheço todos os radares, e diminuo quando acho necessário. Isso me dá um pouco de emoção. Tô vendo de pular de paraquedas, isso parece ser legal também. Quem sabe eu não entre pra um clube de tiro. Essa vidinha parada demais tá acabando comigo. Talvez dar uma guinada nela, me reanime pra manter a minha total sobriedade.
Enquanto isso, vou escrevendo e mandando as pessoas irem tomar no cu mentalmente. Acho que o mundo precisa de textos e de gente ranzinza tanto quanto um peixe precisa de uma bicicleta. Mas enquanto meus pulmões estiverem conseguindo puxar ar pra dentro, eu não tenho ideia melhor do que fazer além disso.
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